A castração e o cuidado animal foram temas abordados na Tribuna Livre; após, seis vereadores fizeram uso da palavra.
A Câmara Municipal de Cocal do Sul realizou, na noite desta terça-feira (30), a 22ª Sessão Ordinária de 2026. Na Tribuna Livre, a munícipe Edsania Tavares, representante do Instituto Rede do Bem, falou sobre a importância da castração animal e das ações voltadas ao controle populacional e ao cuidado com os animais no município. Ela apresentou dados sobre o trabalho voluntário realizado nos últimos anos, destacou a castração como uma das principais políticas públicas para a causa animal e reforçou o pedido de conscientização da população para a utilização dos programas disponíveis.
Edsania também relatou a atuação dos voluntários no resgate e cuidado de animais, ressaltando a necessidade de maior apoio e reconhecimento ao trabalho realizado pela rede de proteção. Ela destacou que a causa animal depende da união entre comunidade, voluntários, Legislativo e Executivo, reforçando que a prevenção, por meio da castração e da posse responsável, é fundamental para reduzir problemas relacionados ao abandono e aos maus-tratos.
Logo após, seis dos nove vereadores presentes fizeram uso do espaço para tratar de assuntos variados.
Gilson Clemes (PL) utilizou a tribuna para relatar uma experiência familiar. Ele contou que sua mãe passou por um mal súbito na última semana e precisou de atendimento no município e encaminhamento para o Hospital de Içara.
Ele agradeceu à equipe da Unidade de Saúde do Jardim Itália, ao médico que realizou o atendimento e aos profissionais da Secretaria de Saúde pelo suporte recebido. Segundo Gilson, a situação fez com que ele observasse ainda mais a importância da estrutura de atendimento disponível para a população.
O vereador relatou que conversou com a direção do Hospital São Donato e destacou o atendimento regional realizado pela instituição. “Hoje o Hospital São Donato é um hospital regional. E vou dizer pra vocês, se eu não me engano, são mais de 50 milhões de reais de investimento nos últimos seis, sete anos”, afirmou.
Gilson também comentou sobre a possibilidade de transformar a unidade de atendimento 24 Horas de Cocal do Sul em uma UPA ou estrutura semelhante, com capacidade para atender moradores do município e da região. Ele disse que pretende buscar recursos para fortalecer essa iniciativa e pediu apoio dos demais vereadores.
“Eu me disponibilizei pra ir atrás de recursos também pro São Donato, por quê? Porque ele atende pessoas de Cocal do Sul, e nós somos servidores de Cocal do Sul”, declarou.
O parlamentar afirmou que avalia destinar suas emendas parlamentares para ações relacionadas à saúde, diante da demanda existente nas unidades de atendimento, principalmente durante o período de inverno. Ele citou o aumento de casos de doenças respiratórias e a necessidade de ampliar a estrutura e dar condições aos profissionais.
Gilson destacou a atuação dos trabalhadores da saúde e reforçou o compromisso dos vereadores em buscar recursos para o setor. “Contem comigo, tenho certeza absoluta, contem com esses nove vereadores pra gente buscar recurso”, disse.
Ao finalizar, o vereador defendeu que a ampliação do atendimento local pode facilitar o acesso de moradores que enfrentam dificuldades para se deslocar até outras cidades em busca de atendimento médico. “Muitas pessoas não têm condições de se deslocar e se for aqui é tudo mais fácil”, completou.
Valdnei da Silva, o Chicão (PL), apresentou na tribuna um projeto de lei que prevê a divulgação dos processos relacionados às autorizações para corte de árvores no município.
Segundo Chicão, a retirada de árvores pode ser necessária em determinadas situações, mas a população deve ter acesso às informações sobre essas decisões. A proposta prevê que processos administrativos e laudos técnicos que fundamentam as autorizações sejam disponibilizados em meio eletrônico oficial. “O cidadão tem o direito de saber quando, onde e por qual motivo essas autorizações estão sendo concedidas”, afirmou.
O vereador explicou que a medida não tem como objetivo criar obstáculos para a administração, mas ampliar a fiscalização e a confiança da comunidade nas ações do poder público. Ele relacionou a iniciativa a princípios de publicidade e acesso à informação.
Na sequência, Chicão apresentou uma indicação para a criação de um programa municipal de digitalização do arquivo morto da Prefeitura. Ele destacou que a acumulação de documentos físicos ocupa espaço, gera custos e dificulta a localização das informações. Segundo ele, a digitalização pode facilitar o trabalho dos servidores e o atendimento aos cidadãos.
O parlamentar também sugeriu que a Câmara Municipal avalie a digitalização de seus próprios arquivos. “É importante destacar que essa medida possui total respaldo legal”, declarou, citando que documentos digitalizados podem ter validade jurídica conforme critérios técnicos previstos na legislação.
Chicão afirmou que as duas propostas estão ligadas à sustentabilidade, economia e governança digital. “Estamos unindo a responsabilidade ambiental de cuidar do nosso ecossistema, com a eficiência administrativa de desburocratizar a máquina pública”, disse.
Ao final, o vereador solicitou atenção da Secretaria de Obras para a situação da rua Vicenza Candiotto no bairro Vila Nova, onde moradores relataram o escoamento de barro em razão das chuvas e do movimento de terra em um loteamento próximo. Ele pediu uma avaliação no local para buscar medidas que reduzam o problema.
A vereadora Glícia Pagnan (MDB) abordou na tribuna a questão do lixo e da coleta seletiva no município e buscou alternativas para ampliar a reciclagem. Ela lembrou que o tema já foi apresentado em outros momentos e afirmou que a separação correta dos resíduos contribui para a redução do volume enviado aos aterros e geração de renda para famílias que trabalham com materiais recicláveis.
Glícia destacou que as lixeiras destinadas exclusivamente ao lixo reciclável não estariam sendo utilizadas conforme a finalidade prevista. Segundo ela, são encontrados resíduos orgânicos, restos de alimentos, materiais contaminados e lixo comum misturados aos recicláveis. “O resultado de tudo isso é o quê? Mal cheiro. Proliferação de animais, contaminação dos materiais que poderiam ser reciclados e muito desperdício”, afirmou.
Durante a fala, a vereadora apresentou uma indicação ao Poder Executivo para que avalie o recolhimento dessas lixeiras ou a reformulação do sistema de coleta seletiva. Ela também relembrou uma indicação apresentada em abril deste ano, que propôs a implantação de um programa de incentivo à coleta seletiva inspirado em modelos adotados em países como a Alemanha.
A parlamentar explicou que nesses modelos são utilizados sacos específicos para os resíduos recicláveis, com identificação dos materiais, além de orientações para a população em casos de descarte incorreto. Para ela, medidas como essa podem auxiliar na organização da coleta.
“Educação ambiental deve acontecer nas escolas, mas também não somente. Ela acontece quando o poder público cria mecanismos que tornam mais fácil fazer a coisa certa”, disse Glícia. Ela ressaltou que a mudança depende de planejamento, conscientização e participação.
Ao finalizar, a vereadora afirmou que a coleta seletiva deve ser tratada como uma forma de gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos, e solicitou apoio dos vereadores para a aprovação da indicação.
A vereadora Maria Luiza Da Rolt (PP) apresentou a proposta de criação da ação “fiscalização em movimento”, com o objetivo de ampliar o acompanhamento das demandas do município pelo Legislativo. Ela afirmou que a fiscalização é uma das atribuições dos vereadores e deve ocorrer independentemente de partido ou posicionamento político.
A parlamentar destacou que a fiscalização sempre esteve entre suas iniciativas e defendeu que a Câmara realize um trabalho de campo, percorrendo bairros e ruas para construir um diagnóstico da realidade local. “Fiscalizar não é uma opção do vereador, é um dever constitucional e um compromisso que a gente assume perante a toda população”, afirmou.
Maria Luiza citou temas que marcaram o período recente da administração municipal, como a infraestrutura urbana e a reorganização dos atendimentos às crianças neurodivergentes, com a criação da clínica Crescer e Evoluir. Segundo ela, a proposta busca avaliar avanços, identificar melhorias necessárias e apresentar informações ao Legislativo e ao Executivo.
A vereadora sugeriu que os parlamentares percorram os bairros a pé, observando as condições das vias e ouvindo moradores. “Não se trata de receber um problema de uma rua e expor aqui, se trata de nós termos uma visão do nosso município como um todo”, disse.
Ela informou que o município possui 17 bairros e 382 ruas na área urbana, além de vias nas áreas industriais, e que o trabalho será realizado de forma gradual. O primeiro bairro definido para a ação foi o União, com início previsto para o próximo sábado.
Além da infraestrutura, Maria Luiza propôs uma pesquisa com as famílias atendidas pela clínica Crescer e Evoluir, para conhecer a percepção dos usuários sobre os serviços. “Fiscalizar também é ouvir, e ouvir quem utiliza os serviços públicos é uma forma responsável também de exercer o nosso mandato”, declarou.
Ao finalizar, a vereadora comentou sobre a abertura do espaço “Quem Aprende se Defende”, voltado ao acolhimento e prevenção da violência contra mulheres, e sobre a participação em encontro da AECS, que apresentou o projeto de construção de sua sede. Segundo ela, a iniciativa representa uma contribuição para a comunidade.
A vereadora Cirlene Gonçalves Scarpato, a Aninha (PSD), registrou na tribuna a realização da Quermesse no Centro de Eventos Jardim Itália, que reuniu mais de 3 mil pessoas no último sábado. A parlamentar agradeceu a assistência social pela iniciativa de reunir os grupos de mulheres e idosos, além da equipe da Educação pelas apresentações. “Esse tipo de evento é muito mais que uma festa. É um momento em que toda a comunidade se encontra fortalecendo o vínculo, renovando o sentimento de pertencimento, o lugar onde vive”, afirmou.
Aninha também convidou a população para a festa junina da Escola Estadual Padre Schuller, no sábado, dia 4 de julho, a partir das 17h, no Centro de Eventos Jardim Itália.
A vereadora apresentou informações sobre o programa “Juntos Somos Mais Fortes”, inaugurado na última semana, que oferece atendimento psicológico, orientação jurídica e atuação integrada na rede de proteção às mulheres. O serviço funciona junto ao Museu Municipal, em parceria entre a administração municipal e o Instituto Quem Aprende Se Defende.
Ela citou dados relacionados à violência contra a mulher e afirmou que o programa busca prevenir novos casos. “Felizmente, nós ainda não temos casos de feminicídio no nosso município, mas temos que nos unir, temos que trabalhar para que isso não aconteça”, disse.
Aninha explicou que o serviço atende mulheres vítimas de violência doméstica, crianças, adolescentes vulneráveis e famílias que precisam de orientação. Entre os atendimentos estão acolhimento, acompanhamento psicológico, orientação jurídica e ações de fortalecimento da rede de proteção.
A vereadora destacou a importância da comunidade estar atenta aos casos de violência. “Às vezes é uma família próxima da gente, às vezes é uma amiga, é um parente. Então, que a gente possa também ter esse olhar e ajudar essas pessoas que necessitam”, afirmou.
Ao finalizar, informou os canais de atendimento, como o CRAS, a Polícia Militar pelo 190 e o WhatsApp (48) 98428-4912, disponível 24 horas. Ela ressaltou a atuação conjunta das secretarias e das forças de segurança na proteção às mulheres.
O vereador Marcel Freitas (PSD) utilizou a tribuna para comentar a participação da representante da Rede do Bem e abordar a causa animal. Ele afirmou que o trabalho realizado pelas voluntárias precisa de continuidade e preparação de novas pessoas para a atuação.
Marcel ressaltou que a causa animal exige participação coletiva e citou ações realizadas pelo município, como o repasse de recursos para o projeto e a disponibilização de terreno para a construção de um espaço. “Eu sei que sozinho a gente não consegue fazer nada, mas tem o apoio de pessoas que abraçam realmente essa causa. E eu sei que a gente deixa a desejar também nesse apoio”, afirmou.
O vereador também manifestou solidariedade ao povo da Venezuela em razão da tragédia causada por um terremoto e defendeu ações de ajuda humanitária. “Então, como a gente fala muitas vezes, por mais amor, por menos ganância, menos guerra, e vamos ter compaixão, sim, com o próximo”, declarou.
Ao retornar aos assuntos do município, Marcel comentou sobre as obras em andamento e os transtornos causados durante a execução dos serviços. Ele relatou ter recebido reclamações de moradores da comunidade de Rio Perso sobre dificuldades de acesso às residências em razão das condições do local durante o período de obras.
O parlamentar afirmou que, mesmo quando a execução é feita por empresas terceirizadas, o município deve acompanhar e auxiliar os moradores. “Indiferente de quem está executando a obra, nós temos que dar apoio para essas pessoas. Então fica aqui esse pedido, esse relato, que não podemos abandonar o nosso cidadão”, disse.
Marcel também falou sobre a situação da Escola Cristo Rei, citando problemas relacionados a goteiras e a necessidade de melhorias no telhado. Ele afirmou que já havia solicitado providências anteriormente e que a Secretaria de Educação trabalha em um projeto para realizar as intervenções durante o período de férias escolares.
O vereador destacou que as demandas apresentadas pela comunidade estão sendo acompanhadas e reforçou o pedido por atenção aos moradores durante os serviços realizados no município.
A próxima Sessão Ordinária acontece na terça-feira, 07 de julho, às 19 horas. Siga a Câmara Cocal do Sul nas redes sociais e fique por dentro dos principais acontecimentos do Poder Legislativo: Instagram - Facebook - YouTube.